Sexta-feira, 2 de Dezembro de 2011
poemas do banco de trás

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publicado por rui às 11:27
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Domingo, 4 de Setembro de 2011
minhas mãos sozinhas

Minhas mãos sozinhas

Monólogos de Bartolomeu Dias

               na morte de sua esposa

 

1-      Criação:  vivem pelas arqueologias do silêncio

                 reunidos durante as cálidas insinuações

                 do fogo sobre a pedra

 

2-      Orgasmo:  palavras marmóreas aéreas descem

                    à fixidez do vermelho

 

 

 

3-      Morte:  sibilina modorra desprende a língua do fruto

               nas mutações da chuva o rio engorda

               um objecto cortante arde-me frio nos dedos

 

               sei a pulsação do sangue

               digo logo para mim essa nuvem

               rebente profusa em teu nobre peito

 

4-      Solidão:  a solidão transporta o resto para

                a penumbra dos esgotos

                

               única musiqueta de todas as maneiras

                intransponível

                faca

 

                aparecem na babugem os peixes mortos

                até isso me vem parar

                às minhas mãos sozinhas         



publicado por rui às 02:22
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Segunda-feira, 7 de Março de 2011
ainda não tinha chegado

Ainda não tinha chegado perto do equilíbrio

o seu acordo ortográfico era um vizinho no

estrangeiro

contudo tinha tangerinas

a balouçar nos dedos

círculos de pólen no espelho

das vontades.

Trazia a uma perna um cão

desamarrado

um camaleão na árvore do seu lugar.

Despedia os domésticos medos cuspindo

bolas transparentes de sabão azul.

Era uma criança com quase 50 anos

já tinha comido mais de metade dos sorvetes.

 

Ainda não tinha chegado a lado nenhum

(que quererá isto dizer?)

às vezes tinha vontade de ir à praia

apanhar conchas e ventos para

brincar com o mar.

 

Era um cigano que escrevia.

 

Olhava o cu das moças nos dias de

Sol

tinha uma deusa escondida na garganta.

Corria de barco de ilha

em ilha de duna em duna

procurando aquilo que os outros

apelidam de felicidade.

 

Ainda não tinha chegado.


sinto-me:

publicado por rui às 10:22
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Segunda-feira, 21 de Junho de 2010
poemas do banco de trás

 

Debruce-se para dentro de nós e entre para o banco de trás. Venha respirar o futuro.

 

 

quando inclino o corpo

 

 

Quando inclino o corpo para a lentidão

redonda dos teus seios, vejo atentamente

que ainda não respiro o futuro.Sabes,

o pólen cai na boca dos que abrem

o silêncio. Sobra talvez uma fuligem em

cada pulso, levanta-se um leve vento,

mas os dias animados sequer encolhem

quando enlouqueces com as tuas baças

unhas amarelas...

 

Não é assim a casa desta manhã quando

os pintassilgos folheiam os cardos, e a cama

é devagar ao lado duma fogueira desmaiada.

As cabeças estremecem um pouco no

regresso do sol das dunas, há um navio

que deambula ainda no corpo, na exígua

memória duma guitarra e outras cordas e peixes.

Sim, alguém se debruça para dentro de nós,

quer sacudir a profunda alegria de sermos

uma realidade com sonho aberto...

 

Todavia temos os castelos que inventámos

após o murmúrio dos pinheiros altos, onde

guardámos as amoras, os medronhos

secos. Bebemos agora a água que resta

doutro vinho, proclamamos a prenhe volição,

a visceral palavra, e embora com uma ramela

a descansar em qualquer labirinto disponível

somos um carrossel de emoções descobrindo

aquilo que pressagiámos durante a vária

areia. Inclinamos o corpo e vemos atentamente

que ainda não respiramos o futuro...

 

Rui Dias Simão, Maio de  2010, edições CATIVA.


sinto-me:

publicado por rui às 17:37
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Domingo, 20 de Junho de 2010
na totalidade dos contrários

 

 

Rui Dias Simão à conversa com Fernando Esteves Pinto


 

 

1 – O surrealismo dá-te muito trabalho?

 

R: Sobretudo à segunda-feira (sorriso)... A escrita é, em mim, quando
acontece, uma terapia lunissolar e estruturante; por isso, uma atitude  

de trabalho inicialmente se não vislumbra e evoca.


 

 

2 – A desestruturação mental é uma vantagem para um poeta se sentir

confortável num ambiente surreal?

 

R: Para já, antes pelo contrário... em boa hora, cada anzol, cada peixe;
 em suma, é preciso estar muito estruturado para saber finalmente
desestruturar.


 

 

3 – Imagina que dividimos uma garrafa em três partes (o fundo da garrafa,

o corpo da      garrafa e o gargalo), as quais representam respectivamente

três fases do dia (a manhã, a tarde e a noite). Qual é a fase que te influência

mais no processo criativo?

 

R: Debaixo da Lua, sem (100) garrafas...


 

 

4 – Fala-me dos teus Animais da Cabeça.

 

R: É um livro que nasce de uns desenhos que fiz por volta do ano 2000,
 os quais estiveram longamente pousados sobre um sofá lá de casa,
 até que.
 

 

 

5 – O desenho e a pintura são o outro lado dos teus poemas. Correspondem

à clarificação mental do teu imaginário poético. O que vês quando escreves poesia?

R: A mulher, a tal, nua, dentro dos translúcidos espelhos.


 

 

 

6 – Tens consciência de que a tua poesia marca uma atitude, uma linguagem,

que é no essencial a tua própria imagem e comportamento perante a vida e os outros?

 

R: Tenho. Afinal, talvez não ...


 

 

 

 

 

7 – Que realidade entra nos teus poemas?

 

R: Neste livro ( os animais da cabeça), uma pseudo-realidade quase  
fora de si mesma.

 

 

 

8 – Há um diálogo implícito nos teus poemas. Que diálogo é esse e com quem?

 

R: Só pode ser com o eventual leitor e a literal surdez do mundo.


 

 

9 – O teu último livro “Os Animais da Cabeça” é, quanto a mim, um breve tratado psico-filosófico sobre o género humano. É na desconfiguração do quotidiano que investes a tua racionalidade?

 

R: Parece utópico, mas existe de quando em vez na minha escrita uma  
certa irracionalidade a investir no quotidiano.


 

 

10 – Em quase todos os teus poemas verifica-se uma linha bem definida de transição entre o sentimento pessimista da vida e o sentimento cómico, risível da vida. Como te defines perante a realidade?

 

R: Na totalidade dos contrários...

 




 

 



publicado por rui às 17:26
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Segunda-feira, 28 de Dezembro de 2009
Poemas do Banco de Trás

O novo livro do poeta Rui Dias Simão já borbulha, ígneo, nas rotativas do tempo próximo. Poemas do Banco de Trás, assim se nomeará o dito (so?), sairá (saltará)  para a luz dos dias nos alvores de 2010. A editora, a de sempre. A que existe para o editar (e celebrar:) Edições Cativa.

 
Só para  vos deixar hiantes de perplexidade, aqui vai um cheirinho.
 
COMPREI UNS SAPATOS NOVOS
 
 
                                   Não sei como nem porquê mas regresso
                                   assiduamente à derriça que me envolve
                                   o corpo, este corpo de lama, que sempre
                                   fecha as portas ao silêncio vivo.
                                   Não sei como nem porquê, entrei numa
                                   casa e trouxe uns novos sapatos novos.
 
                                   Este grito lunissolar que me apaga
                                   os olhos, resmunga nos espaços entreabertos
                                   e moribunda o caminho que adivinharia
                                   a simplicidade interior.
 
                                   Não sei ainda dizer adeus às flores mortas,
                                   aos rios apagados, às veredas cansadas,
                                   aos labirínticos dizeres das pessoas
                                   dos outros.
                                   Mas existe, existe algum lume
                                   para dizer mais do que esta página
                                   riscada pelo avançar da noite, quase
                                   rosnando para a quimera da falta
                                   dos espaços planetários
                                   de mim?
 
                                   Não sei como nem porquê mas
                                   regresso de muito em vez à sombra
                                   dos lugares que me apagam a pele.
 
                                   Onde estás tu, ó amplexo fantástico
                                   das vozes luminosas - tal qual -
                                   pois não sei como nem porquê mas
                                   já se percebe o estiolamento prematuro
                                   deste animal num fogo diurno 
                                   dos seus aparentes dias azuis.
 
                                   Comprei uns sapatos novos.

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publicado por rui às 19:21
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Segunda-feira, 2 de Novembro de 2009
as mulheres da cabeça

A mulher não esmorece perante
a literária lua.
Não levanta um medo para os flancos
da pouca noite.
A claridade, a claridade existe para além
dos escombros do filho que não está.
O corpo é uma praça iluminada
quando caminha com existência
visível.
A lua deita-se com esta mulher diária.
A mulher não adoece perante
a memória lúcida e cega.
Onde a areia branca?

 

 

Na introdução de José Carlos Barros



publicado por rui às 18:23
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Quinta-feira, 12 de Março de 2009
os animais da cabeça no pátio das letras III

Filmagem e montagem de Adão Contreiras

 


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publicado por rui às 17:08
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Segunda-feira, 9 de Março de 2009
animais da cabeça no pátio das letras

Cultura

Rui Dias Simão apresenta livro de poemas «Os animais da cabeça»

 
Foto
d.r. Ver Fotos »
Rui Dias Simão
 

A apresentação pública do livro «Os animais da cabeça», do poeta algarvio Rui Dias Simão, decorreu em Faro, no Pátio das Letras, na passada sexta-feira.

A apresentação do livro, composto por 21 poemas para 21 desenhos, coube a Fernando Esteves Pinto, representante da 4 Águas Editora / Edições Cativa, que chancelou a obra.

A análise da poesia de Rui Dias Simão esteve a cargo de um outro poeta, José Carlos Barros, que prefaciou a obra.

Perante uma sala repleta, José Carlos Barros referiu que conhece mal o homem, por detrás do poeta, mas que não pôde ficar indiferente aos seus escritos.

No prefácio da obra, diz José Carlos Barros: «Eis, pois, uma poesia rara, cheia de força, que reverte das margens e da inquietação, da procura do entendimento, da ironia, do humor, da desmontagem das máquinas quotidianas que nos dão por adquiridas; poesia, finalmente, que reverte do sobressalto. Porque «Os Animais da Cabeça» são os que não descansam, os que não dormem ou dormem com os olhos abertos e as íris incendiadas, que se retiram dos lugares do silêncio, que se recusam a clarear as penumbras - e «mesmo à noite não amansam».

O actor Vítor Correia, não deixando de aludir à grande amizade que o liga ao autor e à admiração profunda pelo seu trabalho, leu uma mão cheia de poemas, colorindo ainda mais a noite poética.

Rui Dias Simão é natural do Algarve e reside na Conceição de Tavira. Realizou os estudos secundários em Tavira e frequentou o Curso de Línguas e Literaturas Modernas na Universidade dos Açores, em Ponta Delgada.

Apaixonado pela pintura, pela leitura, pela escrita e pela natureza, entrega-se de corpo e alma às suas paixões: lê, escreve e pinta, não dispensando um passeio pela Ria Formosa, no seu pequeno barco, hipantropias – que daria o nome ao seu primeiro livro, editado em 2007.

Na ocasião, Rui Dias Simão prometeu continuar a trabalhar para fazer mais e ainda melhor.

9 de Março de 2009 | 15:03

 

in, Jornal do Barlavento

 


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Domingo, 1 de Março de 2009
os animais da cabeça no pátio das letras


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publicado por rui às 23:14
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